Da tutoria à autorregulação: um caminho com sustentabilidade pedagógica turma Tutoria T1
Apresentação
De acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE), uma escola de todos e para todos requer a implementação de estratégias e recursos diferenciados que permitam assegurar o acesso à escolaridade obrigatória e garantir a inclusão e o sucesso de todos os alunos. Esta acessão remete para o desenvolvimento de competências nos alunos que lhes permita construir um projeto de vida sustentável e com significância para além dos muros da escola. Este desígnio pressupõe (re)equacionar as estratégias e metodologias de trabalho com os alunos e, por outro lado, (re)pensar as formas de organização e de trabalho colaborativo entre os professores (Alves & Cabral, 2017; Alves & Palmeirão, 2019). Nesta linha de pensamento surgem nas medidas de promoção do sucesso educativo, onde as tutorias (estratégia de apoio e orientação pessoal e escolar) estruturam-se como uma medida preconizada pelo Ministério da Educação destinada a prevenir o abandono, o absentismo e a indisciplina, bem como apoiar o desempenho escolar dos alunos com insucesso, no 2.º e 3.º ciclos do ensino básico. Caberá a cada escola se olhar sobre si própria e, percecionar o papel e contributo das tutorias como um fator estruturante para a autorregulação das aprendizagens, incrementando, desse modo, o bem-estar e a adaptação às expectativas académicas e sociais de todos os alunos.
Destinatários
Professores dos Ensinos Básico e Secundário e Professores de Educação Especial
Releva
Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Professores dos Ensinos Básico e Secundário e Professores de Educação Especial. Para efeitos de aplicação do artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação não releva para efeitos de progressão em carreira.
Objetivos
Conhecer e inferir acerca de estratégias de apoio e orientação escolar e pessoal passíveis de serem incorporadas em projetos tutoriais; Promover a capacidade de identificar pontos fortes e fragilidades para a melhoria das práticas educativas tendo por base a transversalidade dos projetos tutoriais e as suas potencialidades de planeamento e apoio curricular transversal; Capacitar os docentes para a tomada de decisões pedagógicas e sócioemocionais concertadas e alicerçadas no apoio tutorial tendo em vista o acompanhamento escolar e pessoal dos tutorandos; Fomentar uma cultura profissional orientada para a reflexão crítica e a melhoria contínua em torno dos projetos tutoriais; Contribuir para o desenvolvimento de comunidades de aprendizagem profissionais que promovam o compromisso coletivo com a aprendizagem, a inovação e a qualidade das práticas educativas adaptadas às necessidades dos alunos.
Conteúdos
1. Tutorial em contexto escolar: conceito e enquadramento legal. 2. A Importância da Tutoria na orientação do processo educativo. 3. Formas Organizativas da Tutoria. 4. Perfil do aluno destinatário. 5. Perfil do tutor: 5.1. Funções / competências; 5.2. Formação; 5.3. Atividades; 5.4. Interação com o diretor de turma, outros docentes, técnicos, famílias e instituições. 6. Campos, contextos e estratégias de intervenção. 7. Plano de ação tutorial: 7.1. Planificação; 7.2. Elaboração de instrumentos de observação e registo; 7.3. Avaliação.
Metodologias
Nas sessões presenciais privilegiar-se-á uma metodologia teórico-prática, combinando momentos de exposição de conteúdos com reflexão participada a partir de tarefas realizadas individualmente e/ou em grupo. Na componente teórica, seguir-se-á uma metodologia centrada na transmissão de conteúdos estruturantes e na leitura de textos de natureza científica e normativa, recorrendo-se a metodologias ativas e de interação interpessoal. Na componente prática, privilegiar-se-á uma dinâmica de natureza interativa, centrada na partilha e reflexão, em pequeno grupo e/ou pares, sobre os conteúdos e materiais selecionados, potencializando-se interações reflexivas e dialógicas. Na última sessão será apresentado por cada formando o seu "Plano de Ação Tutorial", seguindo-se um momento de debate em plenário em torno de cada tarefa desenvolvida (potencialidades e desafios em contexto escolar). Presencial/b-learning: Reflexão, análise e discussão com recurso a diferentes fontes, alternando-se entre trabalho em pequeno e grande grupo. Elaboração de trabalhos (planificação/tarefa/atividade) a integrar em práticas tutoriais.
Avaliação
A classificação de cada formando será realizada na escala de 1 a 10 conforme indicado no Despacho n.º 4595/2015, de 6 de maio, respeitando todos os dispositivos legais da avaliação contínua e tendo por base a realização e discussão das tarefas propostas nas sessões, a elaboração e reflexão sobre tarefas concebidas e o trabalho final elaborado pelos formandos, de acordo com os critérios de avaliação em uso na entidade formadora. O trabalho final deverá conter uma reflexão escrita individual sobre a formação e a sua participação na mesma, a identificação das aprendizagens realizadas e capacidades desenvolvidas, bem como, em anexo a planificação de um Plano de Ação Tutorial concebido no âmbito da formação e validado por todos os intervenientes.
Bibliografia
Baudrit, A. (2009). A Tutoria. Riqueza de um Método Pedagógico. Porto: Porto EditoraBaudrit, A. (2009a). A Tutoria em Diferentes Domínios: Situação Actual e Pistas Possíveis a Explorar. In Ana Simão, Ana Caetano e Isabel Freire (org.). Tutoria e Mediação em Educação. Lisboa: Educa e AutoresCarvalhal, A. (2009). Estudo Acompanhado e Tutoria: Representações de Pais e Professores do 1º Ciclo (tesepolicopiada). Aveiro: Universidade de Aveiro. In http://ria.ua.pt/bitstream/10773/1068/1/2010000578.pdfDGE. Tutoria em meio escolar Metodologia de intervenção com alunos e alunas promovida por professores titulares. In https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/EPIPSE/tutorias_tutal_manual_1.pdfRoldão, M. C. (2007). O Director de Turma e a Gestão Curricular. In A Turma como Unidade de Análise (Nº 1). Évora: Universidade de Évora/ CIEP. In http://www.ciep.uevora.pt/publicacoes/CadOAE/n01/cadOAE1.pdf
Observações
A iniciar previsivelmente no final de fevereiro